há quem não goste da noite
das luzes dos batons dos decotes
eu prefiro adorá-la
essa simpática e abstrata senhora
a mãe de todos os delitos
a dona da fumaça que ecoa nos cafés
mesmo que não sejam os parisienses
e sim aquele lá da minha cidade
sem requinte sem tabaco
a noite por si só já é enorme
só precisa de um complemento para ser suprema
um neon um vício um ócio um delito
afinal a luz pra se sentir realmente luz
necessita de uma parte negra para ser completa
para poder ser como a noite
a mãe de todos os delitos
8 de ago. de 2010
A Noite
29 de jul. de 2010
Rua Das Flores
na rua das flores
os ratos roem
o perfume das dores
o verdume das cores
as dores são perfumadas
as flores amareladas
há rato
há pato
há mato
há gato
e não há quem tente
e não há quem aguente
o verdume das cores
o perfume das dores
os ratos roedores
da rua das flores
21 de jul. de 2010
Tarde em Botafogo
a tarde cai em botafogo
do meu aposento fico estático
a velar o barquinho bossa nova
é tanta coisa que cai
caem sonhos e nem sempre ficam
caem lágrimas e nem sempre rolam
há tanta coisa que cai meu deus
na tarde estática de botafogo
os bondinhos num vai-e-vem carregando alguns amores
os mesmos bondes que carregam seus senhores
suas avarezas suas tristezas suas dores
nem mais uma visão
é noite
foi-se o barquinho bossa nova
e eu aqui estático no meu aposento
sob o anoitecer que cai em botafogo