menor até mesmo na poesia

29 de jul. de 2023

Vida Fugaz

no breve palco da vida
ri a morte
ao som da partida

vem suave com leveza
ela divaga e senta
à mesa

no sopro breve do destino
alegrias e lágrimas
se entrelaçam
e nessa caminhada breve e fugaz
uma fusão entre a morte e a vida
se faz

a cada instante que se esvai
a morte sorri e causa espanto
em cada olhar
mas é nessa finitude
que se encontra
o significado de existir
e de amar

a morte misteriosa e fugaz
talvez encontre "na vida"
o seu sentido
e no ciclo do eterno retorno
a morte e a vida juntas
encontram seus destinos



3 de nov. de 2015

Desejo Brasileiro

chega de falar em fonética complexa
orações regras desgraçadas mórbidas
vamos falar de assuntos
menos desinteressantes
atitudes menos feias

fiquemos alheios à concordância
que morra o trema
a mesóclise
que vá para o inferno as análises
chega de pensamentos exíguos
regras extravagantes
soltemos lápis canetas livros
e conjuguemos todos nós o pífio
contudo amigo verbo gazear

homônimos não existem
tampouco conectivos ou crases
façamos valer nossos pensamentos
o que dizemos é lei
o verbo é expressão independente
a gramática: o não-ser
abuso em forma de símbolos

ditemos regras
engrandeçamos o neologismo
e criemos nossos próprios dicionários
transformemos cada língua em nação
e façamos valer a nossa vil xenofobia

criemos nosso próprio hino
e zombemos das outras nações
isso sim é liberdade
bravo! bravo!

30 de out. de 2011

Inútil

crie uma super tese
em alguma coisa
seja breve

prove de tudo um pouco
em alguma coisa
seja louco

escreva um poema inútil
em alguma coisa

seja fútil

3 de out. de 2011

Lógica Universal

o pato grasna 
o gato mia 
a abelha zumbi
e eu choro

o grasnido é do pato

o miado é do gato
o zumbido é da abelha 
e o choro não é meu

mas insiste em me rodear

Sentimento Abstrato

há um bosque no meu mundo
um mundo que é meu
e abrilhanta a vida
mas há um substantivo abstrato
tão pungente quanto divino ao meu redor
ele é didático
e esdrúxulo

há um sentimento no meu coração
um coração que é de todos
na labuta diária da vida
mas há uma esperança gradativa
há uma esperança inextinguível
ela me mantém vivo
sonhador e piegas

e é este sentimento florido
que nunca se extingue
que tanto sonha
chora
lamenta
ensina a didática da vida
ao ser que resiste a tudo

ao tempo
às tempestades catastróficas
à libido repentina que assola e devora
mas sucumbe ao encarar um gesto de amor
a única força irresistível


30 de jun. de 2011

Salada Fome

café com jabá
purê com jiló
petit com carré
eis a rima
que rima
com fome
a fome
do homem

homem que sou eu

30 de abr. de 2011

Sono

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zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzznzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzozzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz


13 de mar. de 2011

Dúvida

na maior parte do tempo
não sei se passo ou fico
se edifico ou subtraio
se esmoreço ou torno a passar
se reedifico ou apenas traio
e da forma que for escrevendo
percorrendo a pauta inerte
eu possa viver o tempo presente
o pretérito de um futuro ausente
que se consome agora
em onze versos de uma pauta morta


8 de ago. de 2010

A Noite

há quem não goste da noite
das luzes dos batons dos decotes
eu prefiro adorá-la
essa simpática e abstrata senhora
a mãe de todos os delitos
a dona da fumaça que ecoa nos cafés
mesmo que não sejam os parisienses
e sim aquele lá da minha cidade
sem requinte sem tabaco
a noite por si só já é enorme
só precisa de um complemento para ser suprema
um neon um vício um ócio um delito
afinal a luz pra se sentir realmente luz
necessita de uma parte negra para ser completa
para poder ser como a noite
a mãe de todos os delitos


29 de jul. de 2010

Rua Das Flores

na rua das flores
os ratos roem
o perfume das dores
o verdume das cores
as dores são perfumadas
as flores amareladas
há rato
há pato
há mato
há gato
e não há quem tente
e não há quem aguente
o verdume das cores
o perfume das dores
os ratos roedores
da rua das flores


21 de jul. de 2010

Tarde em Botafogo

a tarde cai em botafogo
do meu aposento fico estático
a velar o barquinho bossa nova
é tanta coisa que cai
caem sonhos e nem sempre ficam
caem lágrimas e nem sempre rolam
há tanta coisa que cai meu deus
na tarde estática de botafogo
os bondinhos num vai-e-vem carregando alguns amores
os mesmos bondes que carregam seus senhores
suas avarezas suas tristezas suas dores
nem mais uma visão
é noite
foi-se o barquinho bossa nova
e eu aqui estático no meu aposento
sob o anoitecer que cai em botafogo



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